Menu Confiança

Participei do último ano das quatro temporadas do “Menu Confiança”. Fui informada de que o programa acabou por falta de audiência. Sinceramente, fiquei incrivelmente infeliz, pensando que o assinante prefere ver BBB ou um reality falso que não vai somar nada à sua vida a assistir a um programa em que poderia aprender a desfrutar mais dos vinhos e dos ingredientes que estão ao seu alcance.

Uma editora de livros didáticos me disse: “acho aquilo um saco!”

Pois eu acho e sempre achei que faltou entender as propostas que o programa teve. “Menu Confiance” na França significa um cardápio fechado, incluindo entrada, prato principal e sobremesa escolhidos pelo chef e harmonizados pelo sommelier do bistrô. Entre os dois, há comunicação e troca, generosidade e esforço máximo para que tudo fique incrivelmente inesquecível, para a pessoa que irá desfrutar do tal “Menu Cofiance”, que recebe este nome porque o cliente está na mesa sem saber de nada sobre o que irá beber ou comer. Ou seja, ele confia e se entrega àqueles profissionais.

No passado, dava-me a impressão de que os dois apresentadores brincavam de se desafiar, justamente o contrário do que se deve fazer num restaurante. Esse tipo de joguete pode ser muito bom quando você está na sua casa, com os seus amigos. Mas não é nada gostoso quando o chef e o sommelier de um restaurante ficam brincando de desafio, e é você quem paga a conta.

Não nasci para desafiar, sou filha de polonês – a Polônia é o país mais invadido entre todos da Europa -, e prefiro sempre oferecer o meu melhor serviço. Por isso, dei ao assinante o conhecimento que aprendi exercendo o meu trabalho de sommelière. Sugeri harmonizações com vinhos de bom custo x qualidade e alguns drinques que poderiam ser feitos enquanto os pratos estavam sendo preparados. Coisas que o assinante não encontraria sozinho, pois é para isso que servem os especialistas. Quanto às coisas caras, a gente só precisa de dinheiro, e não de ajuda, para comprá-las, eu acho.

Mesmo assim, o programa acabou. Vida que segue. Espero que um dia dê para fazer um programa que eleve e favoreça a cultura do gosto.