SLOW FOOD

Seguia o ano de 2000, em que os cavaleiros do apocalipse diziam que o mundo iria acabar. Na dúvida, continuávamos fazendo as mesmas coisas de sempre. Margarida Nogueira e eu formávamos dupla caipira “Deise e Margarida” do Mistura Fina – ela nas panelas e eu nos copos. Tocávamos nossos cardápios temáticos.

Além de harmonizarmos com o tipo de música que seria apresentada no show na parte de cima da casa, ainda inventávamos festivais: do Café, de Roraima, Amazônia, do Chocolate e que tais. Foi pesquisando para um deles que a Margarida encontrou na internet o Slow Food. A paixão pelo projeto foi instantânea e ato continuo foi feito um jantar no Mistura para lançarmos o convivium Slow Rio.

Hoje existem convivium Slow Food espalhados por todo o Brasil e nada impede que se faça outros, pois não há limite de adesões. Entre outras propostas, Carlo Petrini fundou a associação em 1986 em Bra na Itália com o objetivo de defender a biodiversidade, combinando o prazer da boa comida com excelentes vinhos, cervejas, combinando com esforços para se preservar os inumeráveis queijos tradicional, os cereais, as raças de animais, as frutas que estão desaparecendo devido ao predomínio das refeições rápidas e ao agronegócio.

Dez anos depois, nasceu em Torino , Itália, um ramo da imensa árvore que vem crescendo a partir do Slow Food.

A Arca do Gosto atraca no Salone del Gusto e Terra Madre com a sua carga preciosa: milhares de produtos a serem salvos, originários de todas as partes do planeta, descobertos pela rede do Slow Food. Um patrimônio extraordinário de queijos, pães, carnes curadas, doces, verduras… Uma parte importante da cultura, história, identidade e sabor. Uma biodiversidade gastronômica extraordinária.

Com tudo isso cada reunião de Conselho Internacional ganha  um caráter olímpico e conta com o compromisso de todos, portanto peço que leiam com atenção a carta do Petrini, abaixo.

Muito obrigada!

CONVOCAÇÃO PARA O 7TH SLOW FOOD INTERNATIONAL CONGRESS EM CHENGDU, CHINA, DE 29 DE SETEMBRO A 1 DE OUTUBRO DE 2017

Caros sócios do Slow Food,

Viemos, por meio desta carta, convocar formalmente o VII Congresso Internacional da nossa Associação, que se realizará em Chengdu, na China, de 29 de setembro a 1° de outubro de 2017. O primeiro objetivo do Congresso é, como sempre, debater as perspectivas políticas do movimento Slow Food: o Congresso deve, acima de tudo, ser uma oportunidade de reflexão e impulso para o nosso futuro.

No link, é possível acessar o documento congressual, cujo título é “Nutrir o pensamento“, redigido nos últimos meses, resultado das visões e dos projetos que encontramos ao longo desses anos, viajando entre Convivia, Comunidades do Terra Madre e projetos implementados nos cinco continentes.

Como já aconteceu por ocasião do Congresso de Turim, em 2012, enviamos estas propostas político-programáticas a toda a rede mundial, com mais de três meses de antecedência em relação às datas do Congresso. O documento foi traduzido em oito línguas, pois é importante que seja compartilhado, discutido e promovido o máximo possível, dentro e fora do Slow Food. Convido todos, portanto, a apresentá-lo e debatê-lo nas assembleias de Convivium e Comunidades do Alimento em todo o mundo, a lê-lo publicamente, a adaptá-lo a suas experiências locais, a contar como já estão implementando essas ideias em sua prática diária e, finalmente, a apresentar o documento oficialmente às autoridades político-institucionais de seus territórios.

O movimento chegou a um momento de reflexão importante, o que é necessário, considerando a realidade que vivemos e os tempos difíceis que estamos atravessando. Ser protagonista da mudança, hoje, significa atuar numa comunidade global fluida, que deve se libertar das estruturas exclusivas e limitadas dos antigos modelos, para abraçar, de forma completa e inclusiva, a diversidade do mundo. Nós, como Slow Food, precisamos levantar esta bandeira. Acima de tudo, a biodiversidade alimentar, que sempre foi o nosso campo de ação favorito, mas sem esquecer a diversidade cultural e social, que precisa, cada vez mais, ser preservada e compreendida. Num momento histórico, em que o medo e a desconfiança levantam muros reais e virtuais, precisamos ter a capacidade de interpretar e promover a diversidade, em primeiro lugar, em nossas estruturas, que cada vez mais devem ser abertas e inclusivas, receptivas e capazes de trabalhar em equipe, reunindo-se em torno do princípio do “Bom, Limpo e Justo”. Só assim poderemos desempenhar um papel ativo no mundo do futuro, e só assim poderemos trabalhar para que se torne mais justo e mais igualitário.

Além de discutir e votar as diretrizes das estratégias políticas para os próximos anos, o Congresso também terá a tarefa de eleger os novos órgãos dirigentes, que terão a responsabilidade de orientar e acompanhar o desenvolvimento do Slow Food e do Terra Madre nos próximos quatro anos, assessorando Convivia e Comunidades do Alimento no mundo inteiro. A gestão – como já é tradição na história da nossa associação – será realizada em três níveis: Presidente, Comitê Executivo e Conselho. O regulamento congressual estabelece que todo candidato ao cargo de presidente do Slow Food deve apresentar, além do próprio documento congressual, uma lista de candidatos para o comitê executivo, para o conselho e para o cargo de secretário-geral. O conselho tem o objetivo de representar o maior número possível de países para acolher e valorizar a extraordinária diversidade que é a alma do Slow Food e do Terra Madre e que sempre foi um de nossos traços característicos e de força. Nesse contexto, cabe lembrar que tentaremos fortalecer a presença, no conselho, dos países “menores” em termos de número de associados, mas que são importantes pela forma com que desenvolveram a rede do Terra Madre e seus projetos: eles representam um enorme potencial para o nosso futuro.

Em relação às candidaturas, é preciso ressaltar que não se trata de eleger órgãos de poder, mas de serviço à associação: portanto, é importante que os candidatos a cargos nos diversos órgãos de direção sejam escolhidos entre as pessoas mais indicadas para trabalhar para o Slow Food Internacional (considerando, obviamente, os territórios de origem) durante os próximos 4 anos, garantindo disponibilidade de tempo, energia e representatividade. Para informações adicionais, consulte o regulamento congressual aprovado pelo Conselho Internacional. Em caso de dúvidas, entre em contato com o Slow Food Internacional de Bra, na Itália, para maiores esclarecimentos (international@slowfood.com).

Entre os documentos redigidos pelo Comitê Executivo para regulamentar a realização do Congresso Internacional de Chengdu 2017, está também a repartição dos delegados por cada pais. Como nos congressos internacionais anteriores, escolhemos o critério da participação por procuração. Em relação ao passado, o mecanismo escolhido pelo comitê executivo propõe a identificação de delegados segundo quotas prefixadas, definidas conforme o número de associados efetivamente ativos no país, e também conforme a presença da rede do Terra Madre, bem como a implementação dos projetos principais do movimento, ou seja: a Arca do Gosto, Fortalezas, Hortas, Aliança dos Cozinheiros e Mercados da Terra. Tudo isso porque, na perspectiva de nos tornarmos cada vez mais inclusivos, queremos progressivamente aumentar a abertura a novas formas de participação e adesão ao movimento. Esses critérios permitirão a presença de delegados de cerca de 90 países em Chengdu. (Para maiores informações nos países onde não existe uma Associação Slow Food nacional, contatar diretamente o comitê executivo, também através dos representantes de área geográfica na sede central do Slow Food).

Estamos próximos de um congresso histórico, durante o qual teremos que afirmar o nosso papel de sujeito político de mudança global, e de realidade capaz de agregar em torno da ideia de que, a partir do alimento, é possível reverter a tendência de um sistema que hoje já não funciona, reafirmando, com firmeza, a importância do direito a um alimento bom, limpo e justo para todos. A preparação deve ser feita com cuidado e participação. É preciso chegar em Chengdu com o espírito certo e capaz de representar as realidades locais da melhor forma possível.

Tenho certeza de que será mais um grande passo para desenhar o nosso futuro e do mundo que queremos.

Até setembro, desejando a todos um bom trabalho!

Carlo Petrini