Águas

A prova da água, à francesa

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Em todas as reuniões domésticas, alguns assuntos se repetem, ainda que os convidados sejam outros. Não estou me referindo aos clássicos: manchetes de jornais, capas de revistas, programação da televisão… Os temas aos quais me refiro são atemporais e rolam em todas as rodas: preço de torta pronta, faxineira que não faxina, passadeira que não passa… O que acaba levando a conversa para a infalível enquete: o que é pior, falta de água ou de luz? O resultado também é sempre o mesmo: empate. Voto em falta de água. Por motivos óbvios, pois sem água não seriam produzidas as bebidas alcoólicas e, menos ainda, o tão necessário gelo para os queridos coquetéis.

É a melhor bebida na hora da ressaca, que também não existiria, e eu viveria sem nunca ter sentido aquela maravilhosa sensação de renascer das cinzas quando me curo com água mineral com gás. Água é fonte de inspiração de muitas músicas. Gosto especialmente de “Fazenda”, de Milton Nascimento, cujo refrão diz “Água de beber, bica no quintal/Sede de viver tudo”… Outra que encanta, “Água mineral”, do sensacional Carlinhos Brown. A letra é curtíssima (“ Bebeu água? não! /Tá com sede? tô! /Olha, olha, olha, olha a água mineral /Água mineral /Água mineral / Água mineral /Do Candeal /Você vai ficar legal”), com uma percussão empolgante que dá vontade de sair dançando e bebendo água, seja ela mineral ou não. Em “Água Perrier”, de Adriana Calcanhoto e Antonio Cícero, o conselho é sábio, e válido: em momentos sofridos e melancólicos, o melhor a fazer mesmo é trocar o álcool por água. Preferencialmente a gasosa Perrier, originária da localidade de Vergéze, a 17 quilômetros da cidade de Nimes,na França.

O Manancial de Vergéze, como a fonte ficou conhecida, foi descoberto pelos romanos e, após a Revolução Francesa, passou para as mãos de Alphonse Granier, que fundou, em 1863, a Société de l’Etablissement Thermal des Eaux Minérale de Vergezé. Em 1869, o Dr. Louis Perrier, primeiro a utilizar o conceito da água mineral como bebida e para tratamento da saúde, entrou para a sociedade. Em 1903, o aristocrata inglês Sir St. John Harmsworth comprou a empresa, mudou seu nome para Source Perrier, em homenagem ao Dr. Louis Perrier. Com a morte de Sir Harmsworth, em 1947, a empresa foi vendida ao francês Gustave Leven. Em 1992, a empresa foi comprada pela Nestlé.

Independentemente das mãos pelas quais a empresa tenha passado ou ainda venha a passar, o borbulhar da água Perrier é único. As bolhas são provocadas pelo gás natural de carbono, proveniente de uma corrente de origem vulcânica. Sua composição química (cálcio,147,3 mg;/l ;magnésio, 3,39 mg/l ;sódio, 9 mg/l;cloretos;21,5 mg/l ;sulfatos, 33 mg/l ;bicarbonato, 390 mg/l ) faz com que ela funcione magnificamente como digestivo e contra náusea. A Perrier é a única água que faz parte da composição de um coquetel clássico, registrado pela International Bartenders Association (IBA), o Aperitif Perrier. Os ingredientes: uma dose e meia de gim seco, uma dose e meia de vermute branco seco, meia dose de suco de grapefruit ou de limão, uma fatia de pepino e água Perrier. Coloque o gim, o vermute e o suco na coqueteleira com gelo e bata vigorosamente. Passe para copos tipo long drink e complete com Perrier. Decore com a fatia de pepino.

Como o nome diz, é um aperitivo indicado por alguns autores como um drinque ideal para antes do almoço e também delicioso ao cair da tarde, quando a energia precisa (e deve) ser recarregada.

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender consultora no Torna Pub e no Supermercado SuperPrix, e é titular da coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada semanalmente em seu site.