Cachaças

Uma carta para a cachaça

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13 de setembro – Dia Nacional da Cachaça

“Olá, querida cachaça!

Soube da sua tristeza e decepção esta semana, quando, mais uma vez, o dia 13 de setembro, Dia Nacional da Cachaça, passou quase despercebido. Compreendo seu desapontamento em não ter a sua data celebrada de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Isso não se faz, logo com você, que é tão amigável e festeira. Escrevo esta missiva não para me desculpar por aqueles que te esqueceram, mas para te dar notícias dos que te adoram e continuam batalhando por você.

Pense bem, amiga de todas as frutas e especiarias, o quanto melhorou sua situação por estas terras. Antigamente, cachaça era sinônimo de bebida ruim e nem era servida nos bares. Você se lembra daquela vez que eu pedi uma dose de cachaça em um bar em Copacabana e o garçom se recusou a servir? Eu ponderei, dizendo que no cardápio havia a oferta de caipirinha e que, portanto, na casa havia cachaça. Ao que ele retrucou:“Se a senhora pedir uma caipirinha sem açúcar, sem gelo e sem limão, aí eu posso servir”. Apesar de termos feito troça da situação – porque a gente aqui no Rio faz graça com tudo mesmo – aquilo doeu.

Mas também deu coragem para levantarmos uma cruzada e saímos em sua defesa. Por meio dos grupos Imortais da Academia Brasileira da Cachaça e Confraria de Cachaça do Copo Furado, tiramos você da área de serviço nacional e colocamos na sala de estar de todos os brasileiros. Hoje, não há bar nesta cidade que não tenha uma ótima seleção de cachaças para servir. Pode conferir, pinga amiga: vá ao site do Instituto Brasileiro da Cachaça (www.ibrac.net) e veja com teus olhos cristalinos a grande missão do instituto de dar corpo em tua defesa, em âmbito nacional e internacional, unindo produtores em feiras, seminários e debates como este que acontecerá no estado que sempre foi seu berço mais que esplêndido.

Apesar de sermos um pouco bairristas, não somos egoístas e não te queremos só para nós. Por isso, te levamos para fora de nossas trincheiras e, como era de se esperar, você é a aguardente mais vendida em toda a Europa. Nas terras do Tio Sam, seu sucesso sempre foi garantido como presente de brasileiro que chega, porém queremos mais. Queremos que sejas tão ou mais consumida por lá quanto foi a tequila nos anos 1980. Tenha fé que conseguiremos. Principalmente por meio das modernas ferramentas de comunicação que temos hoje em dia, como o Twitter e o Facebook, no qual todos podem te curtir na página Amigos da Cachaça. Passe por lá.

Apesar de você ser única e absoluta, e a própria legislação não estabelecer distinção entre os produtos finais das destilarias industriais e a dos alambiques artesanais, sabemos, na prática, que existem muitas diferenças entre uma cachaça e outra. E mostrar estas diferenças será a próxima cruzada.

Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2011.”

Já se passaram seis anos desde que escrevi essa cartinha para nossa “querida”. De lá para cá, a cachaça ganhou muita atenção. É só conferir alguns convites de eventos e ações recebidos por nós que destacam os merecidos holofotes lançados sobre a cachaça. E analisem e reflitam sobre o tempo recorde que nossa bebida nacional levou para sair da margem e adquirir o status que tem hoje. No entanto, apesar da melhora efetiva do panorama, ainda há muito mais a se avançar!

Salve a Cachaça! Viva a força e o querer do povo brasileiro!

Crédito da foto principal: Divulgação/Confraria Paulista da Cachaça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Deise Novakoski

Atualmente, Deise Novakoski exerce a função de sommelière e bartender consultora no Torna Pub e no Supermercado SuperPrix, e é titular da coluna “Você tem Sede de Quê?”, publicada semanalmente em seu site.